segunda-feira, 12 de maio de 2014

Fischer

  Ingo Fischer

O entrevistado da semana é o empresário Ingo Fischer – uma das maiores lideranças empresariais, nascido em Brusque aos 08 de março de 1944, filho de Olga e Arthur Fischer, casado com Elfrida Carolina Pruner Fischer com a qual tem três filhos: Karla Pruner Fischer Boos (casada com Juliano Luiz Boos), Ingo Fischer Junior (casado com Zuleica Raquel Tomé Fischer) e Karin Pruner Fischer (casada com Rubens Gomes Silva); sete netos: Anna Julia e Ana Carolina (gêmeas) e Anna Dora (filhas de Karla); Bárbara e Ingo Fischer Neto (filhos de Junior) e Victória Mariah e Matheus Vinicius (gêmeos-filhos de Karin).

Ingo Fischer.
Foto: Fernando Willadino.
Como foi sua infância?
Eu fui o sexto entre nove irmãos, todos nascidos em Brusque e criados na propriedade rural de nossos pais, na Rua São Pedro. Foi uma infância muito sadia e alegre, com brincadeiras saudáveis próprias da criançada do campo, mas onde também desde pequenos cada um tinha suas tarefas a cumprir, participando dos trabalhos da casa, da lavoura e da criação de gado. Entretanto, um aspecto merece destaque, por ter sido de muita importância e influência em nossa formação: É que, apesar de nossa fazenda ficar a uma razoável distância do centro de Brusque, nossos pais fizeram questão de matricular-nos nas melhores escolas da cidade, tendo eu frequentado desde cedo o então Colégio Santo Antônio, hoje Colégio São Luiz. Vínhamos de manhã cedo, a pé de lá da Rua São Pedro, e à tarde fazíamos nossas tarefas, tanto da escola como da casa e do campo. Mais tarde frequentei e conclui o curso secundário. Por isso, tenho todos os motivos para agradecer à visão de meus pais, quanto à importância de uma boa educação e formação.
Primeiro professor/a?
Irmã Arlete
Grandes Professores/as?
Sras. Maria Valéria Rubick e Valquíria Eigen
Sonho de criança?
Sempre sonhei ser alguém na vida.
Como foi sua juventude? Como começou sua trajetória empresarial? Como surgiu Ingo Fischer empreendedor?
Como era comum naquela época, a exemplo dos demais irmãos também eu ingressei no meu primeiro emprego aos 14 anos de idade. Fui ser "carregador de espulas" na fábrica têxtil Buettner, na época uma das grandes da cidade. Mas desde logo senti que não estava ali o meu futuro, tanto que me desliguei de lá após 3 meses de trabalho, para ir aprender tudo sobre bicicletas, numa oficina de consertos no centro de Brusque. Após 3 anos, conhecendo todos os detalhes dessa profissão, montei minha própria oficina, numa sala alugada, que em pouco tempo revelou-se muito bem sucedida. Isto foi em 1961, quando eu tinha 17 anos. O local se tornou também ponto de encontro de irmãos e amigos nas horas vagas, diversos dos quais se tornaram meus primeiros colaboradores nessa primeira empreitada.
Principalmente com a participação de meu irmão Nivert, passamos também a fabricar pequenos artigos de latoaria e a consertar eletrodomésticos. A evolução dessa atividade, levou-nos a fundar, em 1966, a empresa Irmãos Fischer Ltda., que desde então não parou de crescer, transformando-se na Irmãos Fischer S/A Ind. e Com. que hoje distribui seus produtos por todo o território nacional e para vários países da América Latina, hoje inclusive com filial na China. Assim, posso dizer que minha juventude foi de constante busca e realizações no campo do trabalho, espírito que felizmente continua prevalecendo em minha vida, bem como na de todos os meus irmãos que comigo administram a empresa.
Como sua empresa, fundada em 1966, se transformou nesse importante grupo?
Uma vez tomada a decisão de consertar uma variada gama de eletrodomésticos de médio e grande porte, e de produzir artigos de aço inox, vimo-nos diante da possibilidade de fabricar nossos próprios fornos elétricos. Um grande impulso foi entrarmos para a fabricação de máquinas e instalações para a indústria da pesca, a convite do setor de pesca do Estado de S.Catarina, o que nos levou a estudar esse ramo junto a grandes empresas na Europa e nos proporcionou contato com indústrias pesqueiras de toda a vasta costa brasileira. Foi o início para a instalação de nossa fábrica de máquinas.
Pessoas que influenciaram?
Entre as personalidades que tiveram maior influência nessa trajetória da nossa empresa, há que citar duas figuras de muita importância nos primeiros anos que se tornaram grandes alavancas do nosso desenvolvimento, por acreditarem em nosso potencial e credibilidade: - Em primeiro lugar, o Revmo.Pe. Guilherme Kleine, então Diretor do Hospital de Azambuja para quem fazíamos artigos (mesas, pias etc.) de inox e o qual muito nos apoiou, nos primeiros anos na consecução de crédito junto aos fornecedores. E em segundo, o Sr.Aymoré Bridon, naquela época Gerente da agência local do Banco do Brasil, que confiou em nosso empreendimento e nos deu seu voto de confiança, facilitando o primeiro grande empréstimo junto ao Banco, o qual proporcionou a construção da primeira sede própria em terreno adquirido na Rua Gregório Diegoli, bem como uma reserva para o capital de giro necessário para a movimentação e ampliação do negócio. Desses dois personagens de destaque veio-nos o primeiro grande impulso para um progresso significativo e constante.
Como surgiu a possibilidade de ampliar o grupo para outros setores? A Fischer exporta para vários países?
Com a crescente ampliação do espaço e do maquinário da empresa, foram surgindo novas oportunidades, que nos fizeram diversificar a produção, como por exemplo a fabricação de carrinhos de ferro, de betoneiras e de artigos de borracha (pisos e pneus para carrinhos), que também foram bem sucedidos, sendo atualmente fornecidos ao Brasil inteiro e também ao exterior.
Sabemos que o senhor também tem participado do SENAI. Como se dá essa ligação?
A necessidade de treinamento da mão-de-obra, que crescia o tempo todo, fez-me procurar o SENAI local, até então dedicado apenas à indústria têxtil, e, colaborando com a instalação, ali, das necessárias oficinas, juntamente com outras indústrias locais do setor metal-mecânico, conseguimos convencer aquela instituição a abrir esse ramo de ensino, o que culminou com a criação da Escola Mecânica do Senai, em 1988. Esse envolvimento forte com o SENAI local, naquela época ligado ao Sr.Carlos Cid Renaux, levou-me a participar também da Federação das Indústrias do Estado de S.Catarina - FIESC, onde hoje sou um dos Vice-Presidentes para Assuntos Estratégicos. Esse contato favoreceu, também, meu envolvimento na aquisição de terreno e construção do Centro Esportivo do SESI em Brusque, hoje uma realidade de grande importância para a comunidade, que atende a jovens e trabalhadores de todos os ramos, dentro dos mais variados tipos de esporte.
Em termos de responsabilidade social, como o senhor investe nessas ações?
Paralelamente ao seu crescimento físico e comercial, a empresa Irmãos Fischer desenvolveu uma cuidadosa política social, envolvendo a saúde, educação/formação e o bem-estar familiar de seus colaboradores e dependentes, além de apoiar programas beneficentes da comunidade, principalmente no Hospital de Azambuja. A empresa proporciona, aos seus colaboradores, aulas de ensino fundamental e médio, curso de Linguagem de Sinais para surdo-mudos, participação no custo de faculdades, assistência médica dentro da empresa, plano de saúde através da UNIMED para a esposa e filhos até 16 anos, refeição e transporte gratuito, associação cultural-esportiva.
Atualmente estão em andamento, no ambiente da empresa, a instalação de creche, de biblioteca, de academia de ginástica e laboratório de informática para os funcionários. E anualmente prestamos conta dessas atividades à comunidade, através de um Balanço Social.
Quando pensamos em um negócio levando em conta vários outros setores à sua volta, é preciso pensar com cuidado em uma preparação adequada da equipe. Como o senhor procede ao formar uma equipe?
Existe um relacionamento muito saudável entre a Diretoria - composta por cinco dos irmãos Fischer, e os demais gerentes e supervisores dos diversos setores. Assim sendo, cada inovação e cada nova equipe a ser formada para determinada obra, é criteriosamente discutida em reuniões da Diretoria e Gerências, com inclusão de outros técnicos sempre que necessário.
Grandes industriais catarinense? Brusquenses? Carlos Cid Renaux?
O desenvolvimento da indústria em Brusque conta com grandes nomes, a começar pelo Cônsul Carlos Renaux, o grande visionário que transformou a colônia de Brusque num importante polo industrial em que, em tempos mais recentes, destacou-se também seu neto, o Sr. Carlos Cid Renaux, sem dúvida um grande personagem, incentivador do desenvolvimento industrial brusquense. Mas ainda outros grandes vultos deram impulso à indústria em Brusque, principalmente no setor têxtil, como os Srs. Eduardo von Buettner e Gustavo Schloesser. Aliás, em toda Santa Catarina há grandes nomes a destacar no desenvolvimento industrial, como os de Carlos Hoepke, Hering, Sadrozni, Egon Silva - da WEG, Atílio Fontana - da Sadia, e outros tantos que se envolveram na transformação do Estado num forte polo industrial.
Presidência da ACIBr? Período em que presidiu? Principais ações? Outros cargos ocupados?
Tive a satisfação de presidir a ACIBr nos períodos de 2001/2003 e 2003/2005. O foco principal de minha atuação nessa função, além de ampliar o quadro de empresas associadas, foi no sentido de proporcionar-lhe instalações mais adequadas e favoráveis à ampliação de serviços prestados, com a construção de sua sede própria dentro do condomínio do Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque, que tive a felicidade de inaugurar em julho de 2005. Atualmente continuo colaborando, como Presidente do Centro Empresarial e, na Diretoria da ACIBr, como Diretor de Patrimônio da entidade.
Sentiu-se honrado com a Homenagem da FIESC – Ordem do Mérito Industrial de SC ?
Realmente, é motivo de muita honra e distinção, ser destacado entre os industriais de todo o Estado de Santa Catarina como merecedor da comenda da Ordem do Mérito Industrial, em 2009. É, sem dúvida, uma honraria que gera satisfação pelo reconhecimento de se estar contribuindo para o crescimento da região e do país, e também o compromisso de continuar empenhando-se nessa luta constante pelo crescimento e bem-estar da região.
Comentários sobre o próximo pleito eleitoral municipal.
É importante que os próximos candidatos a Prefeito tenham uma visão mais abrangente, dando uma outra dimensão ao desenvolvimento de Brusque. O município tem que ser visto sempre de forma mais ampla sob todos os aspectos - sociais, culturais e econômicos. Nossa comunidade é essencialmente trabalhadora e merece um governo de muita seriedade, honesto, bem intencionado, de visão ampla, de boa vontade e empenho intenso em todos os setores.
Qual é o tipo de governo ideal para que, com o apoio da iniciativa privada, o Estado consiga ter mais visibilidade no país?
Nossa região, como aliás o Brasil como um todo, apresentam uma situação de crescimento econômico, o que significa aumentada arrecadação de impostos, principalmente considerando-se os elevados juros e a enorme carga tributária que pesa sobre todo o setor industrial/comercial do país. Infelizmente continua não correspondendo o desenvolvimento social, no que se refere ao apoio à educação, à saúde, à segurança, ao desenvolvimento e manutenção do sistema viário, etc. etc., enquanto assistimos constantemente à proliferação de casos de corrupção nas mais diversas áreas administrativas. O Brasil tem um potencial enorme, que merece ser tratado com correção e honestidade em todas as frentes, mediante aplicação correta dos recursos arrecadados para o desenvolvimento do país, incentivando-se o crescimento e condições de operação da agricultura, indústria e comércio e demais setores econômicos e sociais. Se assim for, seguramente se realizará a profecia "Ninguém segura este país!". E, se não pudermos desde já mudar o país, temos de começar por nós, por nossa região e nosso Estado. O industrial brasileiro, apesar de submetido à mais pesada carga tributária do mundo, consegue competir com economias bem mais agressivas do resto do mundo, como a China por exemplo, o que demonstra que somos competentes, verdadeiros heróis nessa batalha, por tudo o que temos suportado e o que temos de enfrentar. É preciso que os governos, tanto do Estado como do país, incentivem um maior crescimento econômico, o que obviamente gerará maiores recursos para as obras de infra-estrutura social e maior bem-estar da comunidade como um todo. No momento, vemos com frustração várias entidades apregoando a "desindustrialização", como medida a ser introduzida, o que nos faz chamar a atenção para o fato, infeliz, da evasão de forças do país para outros mercados, mais promissores e que oferecem condições mais favoráveis de produção e desenvolvimento. É importante reverter-se essa situação, com maior incentivo à nossa indústria e setor produtivo em geral, o que fortalecerá também o comércio, oferecendo maior resistência à importação de bens de consumo geral. Resumindo, um governo ideal para nosso Estado e para o Brasil deverá ser assistido, em toda a sua extensão, por elementos mais patriotas, mais idealistas, mais conscientes de sua responsabilidade civil.
Um resumo de sua trajetória profissional?
1958 a 1961 trabalhei na indústria têxtil e em oficina de bicicletas; de 1961 a 1966, Proprietário de oficina de conserto de bicicletas; de 1966 até hoje, sou Presidente da indústria metal-mecânica Irmãos Fischer S/A; de 1974 até hoje, também sou presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de BQ; de 1980 a 2005, Conselheiro do Sistema FIESC/SESI/SENAI; de 2005 até hoje, Vice-Presidente para Assuntos Estratégicos da FIESC; de 1987 até hoje, Membro da Diretoria do Hospital de Azambuja e seu Provedor desde 1997; de 2001 até 2005, Presidente da ACIBr–Ass.Comercial Industrial de Brusque; de 2005/2009, Vice-Presidente da ACIBr; de 2005 até hoje, Presiddente do Centro Empresarial e Cultural de Brusque; de 2009 até hoje, Diretor de Patrimônio da ACIBr.

Referências

  • Jornal Em Foco. Edição de 19 de julho de 2011. 

  Norival Fischer


Nosso entrevistado Norival Fischer (Diretor Industrial de Irmãos Fischer).
O entrevistado da semana é o Diretor Industrial da empresa Irmãos Fischer S/A Ind. e Com., Norival Fischer, filho de Olga e Arthur Fischer; nascido em Brusque aos 14.08.1952. Casado com a Secretária Municipal de Educação, Gleusa Luci Fischer, com a qual têm 5 filhos: Ana Paula Fischer (casada com Rafael Vieira), Arthur Fischer Neto (casado Flávia Machado Rebello Fischer), Ana Flávia Fischer (casada com Valmir Müller), Ana Claudia Fischer e Ana Luiza Fischer. Um neto: Benício Fischer Vieira (filho da Ana Paula). É vascaíno. Quais as memórias de criança?
Tenho infinitas memórias, como brincar de pega pega, tomar banho no rio, jogar quilica, entre várias outras que são reflexos de uma infância feliz e saudável.
Sonho de criança?
Quando criança, pouco se pensa no amanhã, mas quando jovem, sonhava em ser alguém útil para a sociedade.
Primeiro/a professor/a?
Meu pai e minha mãe.
Grandes professores?
Maria Odete Espíndola, Euclides de Oliveira, Pe. Orlando Maria Murphy
Pessoas que influenciaram?
Os grandes mestres que tive ao longo de minha formação.
Espelha-se em algum empresário? Sim, Carlos Cid Renaux e José de Alencar.
Quais os melhores livros que já leu?
A história de Juscelino Kubitschek; Lembrança: Rosinha, minha canoa; Quem roubou meu queijo; Capital Trabalho entre outros.
Quais os principais produtos fabricados pela empresa?
Eletrodomésticos: fornos, cooktops, coifas, depuradores, microondas, secadora. Construção Civil: Carrinhos de mão, Betoneiras, e o mais novo produto: Casas Modulares. Transporte Individual: Bicicletas.
Qual foi o objetivo da empresa Fischer, na qual você é diretor Industrial, e que tradicionalmente visava o setor metalúrgico e itens para a construção civil, iniciou a produção de casas metálicas populares?
O objetivo de nossa organização é a busca constante de produtos que venham contribuir com o bem-estar do ser humano. Entendemos que as casas construídas até então, possuem o método construtivo muito artenal e necessário se faz, a busca de aprimorar esta metodologia construtiva.
Em visitas a vários países onde esses processos de construção mais avançados tecnologicamente já são utilizados, visualizamos a oportunidade de adoção desse sistema no Brasil.
Como surgiu a ideia de fabricar as casas metálicas?
Como já comentado, conhecemos esse sistema inovador construtivo em visitas a outros países que já trabalham com este método. A ideia nos interessou principalmente pela facilidade de montagem, matéria-prima abundante, e com qualidade superior a qualquer outro material utilizado. Este material é de aço com liga de estanho e alumínio, tendo assim uma resistência inigualável.
Porque a decisão de lançar casas metálicas populares?
Em função da velocidade do processo de construção, onde uma casa de 39,4m², após o radier(fundação) construído, o tempo de término da montagem não será superior a 48 horas trabalhadas em sua totalidade.
A inspiração para a fabricação das casas metálicas requerem muito investimento?
Todo e qualquer novo produto requer primeiramente um bom grupo técnico e este é o maior investimento de nossa indústria. O produto especificamente “Casa”, para toda a elaboração, desde terreno, fábrica e equipamentos/tecnologia, exigiu um investimento financeiro em torno de 60 milhões de reais.
Com a nova modalidade de atendimento houve geração de empregos ou só remanejamentos de pessoal?
Com a instalação da nova fábrica, houve sim geração de emprego e temos perspectiva de aumento deste número para este ano.
Há uma previsão de unidades fabricadas por ano? E o preço/unidade?
Em torno de 7.000 casas ao ano. O valor da casa gira em torno de R$ 30.000,00, neste valor não está incluso o custo com a fundação (radier), que ficará a cargo do proprietário ou da empresa construtora.
Daria para descrever como é uma casa metálica?
A Casa Modular Fischer possui 39,4m², internamente é dividida em 2 quartos, 1 banheiro, sala e cozinha conjugadas. Possui um sistema construtivo inovador composto por paredes estruturais, constituídas de painéis tipo “sanduíche”, com uma chapa metálica galvalume em cada face, intercalada por composto químico rígido de poliuretano, formando o miolo dos painéis. A cobertura é formada por telhas tipo “sanduíche”, com uma chapa metálica na face exterior, na face interna e com miolo em poliestireno expandido (EPS), podendo conter também o composto químico feito especialmente para regiões com maiores temperaturas.
Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida, algo que você aposto e não deu certo.
Essa decepção eu ainda não tive, ate porque sempre me preocupei com aquilo que é palpável e realizável.
O que faria se estivesse no início da carreira e não tivesse coragem de dar o primeiro passo?
No início de uma carreira, não há como saber se teremos sucesso ou não, o que pode-se fazer é, buscar o maior número de informações e conhecimentos possível para minimizar as chances de fracasso. Particularmente, acredito que o medo e a falta de coragem não são características de um empreendedor, claro que é preciso ter cautela e conhecimento, mas para isso, a pesquisa e o planejamento estratégico servem para auxiliar no processo.
O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
A disciplina, perseverança, educação e a busca contínua pelo conhecimento.
Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
Mesmo acreditando em um Ser superior a nós, e sabendo que a vida na terra é apenas uma passagem, as grandes decepções que sofri foram as mortes prematuras de meu irmão Anselmo e meu sobrinho Luis Gustavo. Considero também como uma decepção, pessoas que se utilizam do voto para entrar no poder, e quando lá estão não cumprem suas promessas e ainda se beneficiam particularmente desviando os recursos dos cidadãos. Já as grandes alegrias que tive, com certeza foram os nascimentos dos meus filhos e de meu neto.
Como vê a administração Paulo Eccel/Evandro de Farias? Ou quais os pontos positivos da Administração?
Uma administração cautelosa e calçada no compromisso com a sociedade brusquense. Atenta às solicitações dos cidadãos e associações de moradores e trabalhando com muita transparência.
O PP em Brusque e no Estado?
O PP em Brusque continua forte, buscando cada dia mais se solidificar junto com a administração local. E no estado, apoiando o governador naquilo que vem de encontro com a sociedade catarinense.
O PP sai novamente em dobradinha com o PT?
Em princípio não há nada que possa contrariar esta afirmação. Mas se isto não se concretizar, o PP buscará outro caminho para ajudar a construir uma Brusque ainda melhor.
Costuma ler jornais? O jornal EM FOCO está no caminho certo?
Sim vários. Entendo que todo informativo que leva o saber e o conhecer ao cidadão é de suma importância para a sociedade.
Uma palhinha sobre a presidência do PP?
No decorrer de muitos anos ocupei este cargo, em nada me arrependo na forma como a conduzi, até porque, todas as decisões ali tomadas foram sempre de comum acordo pela maioria dos seus membros integrantes. Portanto, sinto que minha missão foi cumprida dentro dessa organização. Espero que o atual presidente a conduza sempre visualizando o bem estar de seus membros e da nossa Brusque.
Os fogões de mesa ou cooktops
A diferença de cooktop para fogão é que para ele, é preciso que você o instale em uma bancada.
Outra diferença é o fato dele não possuir forno, mas você pode comprar um forno de embutir, ou não usar nenhum, ai vai do seu gosto!!!

Referências

  • Jornal Em Foco. Edição de 29 de fevereiro de 2012..

Edemar Fischer

Diretor Comercial e Financeiro de Irmãos Fischer e Presidente ACIBr


O entrevistado desta semana é o Diretor Comercial e Financeiro de Irmãos Fischer e Presidente da ACIBr,Edemar Fischer, filho de Arthur e Olga Fischer, nascido em Brusque aos 19 de janeiro de 1951; cônjuge: Bernadete de Oliveira Fischer; filhos: Francine de Oliveira Fischer Sgrott, Caroline de Oliveira Fischer Bacca e Luiz Gustavo de Oliveira Fischer(in memoriam); netos Pedro Alexandre Fischer Sgrott (filho de Francine e Emerson Alexandre Sgrott), Helena e Henrique (filhos de Caroline e Luiz Eduardo Bacca).

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Nosso entrevistado, Edemar Fischer com a esposa, Bernadete - Chile - Vale Nevado
  

Sonho de criança?
Sempre gostei de todos os esportes, tinha muita habilidade para jogar futebol. Então tinha sonho de ser um jogador de futebol, porém, este sonho não pode ser realizado porque havia necessidade de eu trabalhar para auxiliar na renda familiar, após meus 14 anos de idade. Sempre assisto e curto todo tipo de esporte que me é possível.

Do que não esquece do tempo de criança?
Da liberdade que tínhamos de jogar bola em campinhos improvisados, de brincar de carrinho de rolimã feitos por nós mesmos, de bola de gude, de tomar banho e pescar no ribeirão em frente da nossa casa, de escorregar dos morros em folhas de coqueiros, de pega-pega, de andar de bicicleta, de carroça, de andar a cavalo, enfim de todas as brincadeiras simples que tínhamos juntamente com meus irmãos e primos.

Pessoas que o influenciaram?
Sempre tivemos o apoio de nossos pais para buscarmos a profissionalização na área de nossa aptidão. Desde cedo senti que minha maior habilidade era atuar na área administrativa e comercial. Por isso, meu segundo grau (hoje ensino médio) foi Técnico em Contabilidade. Todos os professores do curso colaboraram para minha formação. Porém, destaco o meu caro professor de Contabilidade, Sr. Arthur Maurici e o caro Sr. João dos Santos, este professor de Contabilidade Bancária, que muito me influenciaram em minha vida profissional. Depois, na Faculdade de Economia, encontrei outros tantos professores desta área que me deram suporte teórico e prático para minha profissionalização.

Histórico escolar?
De 1ª. A 4ª. Séries estudei na Escola de Educação Básica Feliciano Pires e Francisco de Araújo Brusque. De 5ª. A 8ª. Séries estudei no Colégio Cenecista Honório Miranda. O Ensino médio, Técnico em Contabilidade, fiz no Colégio São Luiz. O Curso Superior, Faculdade de Ciências Econômicas, foi feito na FURB – de Blumenau.

Quais as matérias que mais gostava?
Gostei de todas as matérias, porém, sempre me atraiu muito as matérias de contabilidade, administração e finanças.

Primeiro/a Professor/a?
Vou citar alguns dos meus professores: Dona Noêmia Albani, Araci Merísio, Alaís Rodrigues, Erna Rau, Odete Espíndola, Catharina Sedrez, Ascânio Sedrez, Júlia de Oliveira, Euclides Visconti, Laércio Knihs, Evaldo Moresco, Euclides de Oliveira, Nilson Wiemes, entre outros que guardo com muita consideração.

Como conheceu a Bernadete?
Conheci a Bernadete nos primeiros dias de aula do curso Técnico em Contabilidade, no Colégio São Luiz, em 1969. Namoramos 5 anos e nos casamos em 19 de janeiro de 1974, portanto, há 40 anos.

Como lida para dar qualidade ao seu trabalho, Diretor Financeiro/Comercial na Irmãos Fischer?
Parto do princípio que um administrador deve ser empreendedor, ousado e determinado. Sou ousado e corajoso, mas também sensato e interpessoal, sei que cada um depende do outro na empresa. Sou determinado e pauto minhas ações na responsabilidade para com a sociedade onde estamos inseridos, como pessoa e como empresa. É preciso ignorar tudo aquilo que não contribua para o crescimento da empresa e das pessoas que nela trabalham. Busco traçar e alcançar objetivos que podem melhorar a qualidade de vida dos nossos colaboradores e da sociedade, como um todo.

O sistema de gestão adotado pela Irmãos Fischer resulta no aumento de vendas continuo, batendo recordes ano após anos?
A Empresa Irmãos Fischer SA. atua no mercado, desde 1966, pautado na excelência e qualidade dos seus processos e produtos. O propósito é de levar aos nossos consumidores produtos versáteis, modernos, de um design atraente e durabilidade comprovada. Para tanto, investimos um percentual da nossa receita em novas tecnologias, novos processos e produtos. Também é frequente a modernização e ampliação do nosso parque industrial, que hoje ultrapassa 140 mil metros quadrados de área construída. Aliado a isto, investimos na formação, qualificação e treinamento dos nossos colaboradores, pois a eles devemos nosso crescimento.

Fale um pouco da parceria com a Unifebe, Uniasselvi e Faculdade São Luiz, na ACIBr
Sou empresário que acredita que a educação escolar e a formação continuada dos nossos colaboradores são a fonte do sucesso de uma empresa e a realização pessoal e profissional de cada homem e mulher que nela trabalha. Assim sendo, como Presidente da ACIBr, procuro, junto às entidades de ensino superior de Brusque – Unifebe, Uniasselvi e Faculdade São Luiz, buscar parcerias para a formação continuada dos associados, através de Ciclos de Palestras com temas adequados para cada ramo de atividade produtiva ou de serviços. De 2011 até hoje, mais de 800 pessoas participaram destas atividades de formação. Os palestrantes são professores universitários destas entidades com comprovada competência. Com a Unifebe temos um serviço de Consultoria e Auditoria realizado nas dependências da ACIBr e disponibilizado a todos os nossos associados. “Acredito que Santo da casa faz milagres”.

Como desenvolveu sua gestão em frente a ACIBr no biênio 2011/2013?
No início de cada ano é feito um balanço de nossas atividades e é traçado uma linha de trabalho do exercício em curso. Essa retrospectiva nos possibilita um balanço das ações que devem ter continuidade por sua importância e abrangência e da mesma forma outras que mereçam novo direcionamento. Todo esse trabalho tem como objetivo macro estimular a maior participação dos associados e parceiros ACIBr na busca de bons resultados, além do fortalecimento do associativismo. Nossas reuniões são realizadas , semanalmente, as segundas-feiras, das 17:30 às 19:00, na ACIBr, e, durante o ano temos quatro reuniões itinerantes, sendo duas na Guabiruba e duas em Botuverá. Semestralmente, fazemos um Café da Manhã para recepcionar os novos associados e um Almoço de Ideias, na Sociedade Bandeirante, onde especialistas apresentam temas atuais e pertinentes ao dia a dia das empresas, em forma de palestras. Em maio de cada ano fazemos o Fórum de RH, que debate assuntos na área de gestão de pessoas e qualificação/ profissional. Durante todo o ano oferecemos a Consultoria Empresarial, que atende de forma personalizada empresários que querem esclarecer dúvidas na área de gestão administrativa e de recursos humanos, de gestão econômico-financeira e contábil. Promovemos ainda encontros com os coordenadores dos Núcleos Setoriais visando à troca de experiências e informações.

A experiência na Diretoria da ACIBr é positiva?
Certamente minha experiência na ACIBr colabora em muito com minha prática profissional.

Além da Presidência e Vice-Presidência, a ACIBr conta com 16 Diretorias. Isso resulta de alguma necessidade indispensável ao efetivo antendimento ao empresariado?
Evidentemente que com as 16 Diretorias a ACIBr cumpre mais e melhor as suas finalidades. Os diretores, além de responderem pelas suas pastas, representam a entidade em eventos e atividades externas que dizem respeito à sua diretoria. Para conhecimento dos leitores arrolo aqui as diretorias que compõem a ACIBr: financeiro, projetos especiais e infraestrutura, assuntos tecnológicos, relações institucionais e da CDL, núcleos e/ou câmaras, assuntos da indústria, assuntos de comércio e turismo, assuntos prestações de serviços, assuntos pequenas e micro empresas, assuntos comunitários, assuntos legais e governamentais, assuntos de comércio exterior, assuntos ambientais, assuntos do CESCBr, patrimônio e relações empresariais.

Já ocupou algum cargo no PP em Brusque?
Sou politizado, não político-partidário. Sou filiado ao PP, mas nunca ocupei um cargo na sua diretoria.

De que sente orgulho?
Sinto-me realizado por ter constituído minha família, por ocupar a direção de uma grande empresa, por presidir a ACIBr – Associação Empresarial de Brusque e por ter uma extensa rede de amigos.
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Emerson, Francine, Pedro, Bernadete, Edemar, Caroline, Henrique e Luiz Eduardo.


Qual é a sua aspiração?
Aspiro ver a cidade de Brusque preparada para enfrentar os desafios do futuro. Aspiro ver o planejamento de Brusque para os próximos 30, 40 anos. Aspiro ver a economia de Brusque diversificada ainda mais para superar as constantes crises que abalam alguns setores. Aspiro ver em Brusque ampliação da malha viária que permita a melhoria na mobilidade, incluindo transporte coletivo eficiente. Aspiro ver a educação alicerçada em profissionais satisfeitos, competentes técnica e politicamente; alunos felizes e desejosos por aprender e escolas capacitadas com tecnologia da informação.

Costuma ler jornais?
Sim leio os locais, estaduais e a Folha.

O que está lendo atualmente?
Metanoia: Um novo olhar sobre a liderança e os negócios, de Roberto Adami Tranjan.

Grandes alegrias e quais tristezas viveu?
Grande alegria é viver cada dia fazendo o que gosto: trabalhar, estar com a família, brincar com meus netos, encontrar amigos, assistir um bom jogo de futebol, buscar informações nos meios de comunicação, atualizar minhas redes sociais e agradecer a Deus por estar vivo e saudável.
Uma tristeza que vivi foi a partida prematura do meu filho Luiz Gustavo, aos 26 anos, vitimado por leucemia.

O que você aplica no dia a dia das experiências que teve?
Pela minha formação acadêmica e pelas experiências já vividas deixo aqui alguns conselhos:
- não paute sua vida nem sua carreira simplesmente pelo dinheiro
- ame o que faz e persiga fazer o melhor
- seja fascinado pelo realizar que o dinheiro virá como consequência,
- pense no seu país, no seu estado, na sua cidade, porque pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
- seja trabalhador, lutador, não se acomode. Melhor errar do que não ter tentado.
- faça, tente, erre, falhe, lute. Não jogue fora a extraordinária oportunidade de ter vivido.
  • cada homem faz e escreve sua história. Fomos criados para construir, descobrir, colaborar para que nós e os outros homens vivamos mais e melhor.
O que faria hoje, que não teve coragem de fazer?
Sempre fiz o que achei correto, então se fosse voltar a ser jovem, faria de minha vida uma cópia do que fiz até hoje.

Finalizando, será o nosso candidato ao Paço Municipal?
Nunca desejei ser político atuante. Mas estou sempre atento ao que acontece nos poderes executivo e legislativo, posicionando-me a favor da melhoria da qualidade de vida da população, independente de partido político.


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Nosso entrevistado Edemar Fischer - em Veneza -Itália




Publicado no Jornal EM FOCO aos 09 de maio de 2014




Bernadete de Oliveira Fischer

Mestre em Educação

A entrevistada desta semana é a Mestre em Educação, Bernadete de Oliveira Fischer, nascida em Brusque aos 11 de junho de 1953; filha do saudoso Estevam Augustinho de Oliveira (falecido em 2006, tendo sido vereador durante três legislaturas) e de Emília Floriani de Oliveira (está com 78 anos); cônjuge: Edemar Fischer; filhos: Francine de Oliveira Fischer Sgrott, Caroline de Oliveira Fischer Bacca e Luiz Gustavo de Oliveira Fischer
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Nossa entrevistada a Mestre Bernadete de Oliveira Fischer


Sonho de criança?
Meu sonho profissional sempre foi o de ser professora.

O que sente falta de sua infância?
Minha infância foi muito boa. Vivi no bairro de Santa Terezinha e não sentíamos falta de nada.

Quais as lembranças que têm de sua infância?
Lembro-me das brincadeiras com minhas duas irmãs, primas e amiguinhas no bairro Santa Terezinha. Em cada idade uma brincadeira: bonecas, tic-tac de panos recheados de areia feitos por nossas mães, brincadeira de rodas com cantos, voleibol em um campinho próximo à nossa casa, batida (jogo com bola entre duas equipes), brincadeira de esconder, amarelinha e tantas outras que as crianças de hoje nem imaginam que existiram.

Pessoas que influenciaram?Como escolheu a sua profissão?
Meus pais sempre priorizaram os nossos estudos. Minha mãe gostaria de ter sido professora, porém, na sua infância e juventude estudar era um sonho para poucos realizarem. Assim, estudar sempre foi um prazer para mim. As professoras que tivemos nos anos iniciais, na então Escola Municipal Santa Terezinha, hoje Escola de Educação Básica Santa Terezinha, também muito me influenciaram na escolha profissional. No primeiro e segundo ano tivemos como alfabetizadora a carinhosa e competente Dona Matilde Orlanda Teixeira Pozzi com a qual tive e tenho muita empatia e admiração. A ela devo meu gosto pela leitura e estudo. No terceiro ano tivemos como professora uma também brilhante educadora, a Dona Nadir Schlindwein Morelli, que já se encontra na Casa do Criador e foi ela quem nos mostrou pela primeira vez uma máquina de escrever. No quarto ano tivemos o prazer de ter como professora a Dona Rute de Oliveira Medeiros, paciente, brincalhona, que descortinou para nós as belezas do Rio de Janeiro, como o Pão de Açúcar. Hoje, com a globalização e os meios de comunicação, intensamente usados estas descobertas não fazem sentido a uma criança de sete, oito ou nove anos. A partir do quinto ano e o ensino médio fiz no Colégio São Luiz, cujo diretor era o Padre Orlando Maria Murphy, educador à frente do seu tempo e que orientou minha formação profissional. Destaco como influência na minha escolha duas professoras da área de Ciências: Regina Moritz e Maria Celina Coelho Gonçalvez, esta também está do outro lado. No curso superior de Ciências Biológicas tive vários e bons professores que me fizeram ter certeza da escolha que fiz. Na genética a professora Norma Odebrecht, na zoologia o professor Leandro Longo, na botânica o professor doutor Roberto Klein, cujos fascículos de sua tese de doutorado guardo comigo como presente deste grande botânico, na ecologia o professor Alceu Longo. Tantos outros mestres tive em minha trajetória, todos fazem parte da história de formação desta professora apaixonada pelo ato de educar.

Histórico escolar ?
1960 – 1963 Anos Iniciais na escola Municipal Santa Terezinha; 1964 – 1971 Anos finais e ensino médio Curso Normal (matutino) e Curso de Técnico em Contabilidade (noturno), no Colégio São Luiz; 1972 – 1975 Curso de Ciências Biológicas, na FURB, em Blumenau; 1976 – 1977 Curso de Pós-Graduação em Genética Humana, FURB/UFRGS e 1987 – 1990 Mestrado em Educação, UFSC, em Florianópolis.

Há quanto tempo está formada?
Ciências Biológicas em 1975, Pós-Graduação em 1977 e Mestrado em 1990.
Como conheceu o Edemar?
Conheci o Edemar Fischer nos primeiros dias de aula do curso Técnico em Contabilidade, no Colégio São Luiz, em 1969. Namoramos 5 anos e nos casamos em 19 de janeiro de 1974, portanto, há 40 anos.

Como surgiu Ciências Biológicas em sua trajetória?
A escolha por Biologia deveu-se à minha curiosidade em estudar: a origem dos seres vivos, a influência da genética, os cuidados com o ambiente, os animais, as plantas, ... Defendi em minha Dissertação de Mestrado que as crianças nascem curiosas e investigativas. É preciso que os pais e professores cultivem estas características que irão contribuir para que as crianças gostem da escola e amem estudar.

Fale sobre seu tempo de professora na EEB Dom João Becker
A Escola de Educação Básica Dom João Becker foi a minha segunda casa. Como já disse, iniciei meus trabalhos lá em 1978 e de lá só saí aposentada, em 1997. Foram dezenove anos de muito trabalho e dedicação aos tantos alunos que por lá passaram. Sempre digo que se me fosse dado voltar aos 18 anos, certamente eu escolheria ser professora. Sei que a realização em minha carreira profissional deve-se ao fato de eu sempre ter sido tratada com respeito pelos meus alunos, seus pais e pelos amigos professores com os quais até hoje convivo. No percurso do Dom João Becker atuei como professora de Ciências e Biologia e durante 4 anos fui diretora da escola.

E seu trabalho na Unifebe?
Trabalhei na Unifebe durante 31 anos. Como citei anteriormente, atuei como professora de biologia no Curso de Ciências, licenciatura de 1º. Grau, bem como fui coordenadora deste curso (1976 – 2000). A partir de 1987 atuei como professora de Biologia Humana, Higiene e Puericultura e Metodologia do Ensino de Ciências no Curso de Pedagogia. A partir de 1998 até aumentei minha carga horária na função administrativa na FEBE, sendo responsável pelos projetos de cursos novos, de reconhecimento dos cursos existentes e projeto de transformação da instituição em Centro Universitário de Brusque, Unifebe.

A educação ontem e hoje?
Estudando a História da Educação Brasileira vemos que cada época ou período de nossa história foi e é caracterizada por diferentes modelos - político, econômico, social – e que em cada período, dá-se uma efervescência de ideias que exigem nova metodologia e organização escolar. O surgimento de novas metodologias na educação explica porque alguns pais reclamam que os filhos aprendem menos conteúdos que eles. Nas últimas décadas a organização escolar e a metodologia do ensino tiveram várias mudanças para atender as exigências dos modelos social, econômico e político pelos quais o país passou. Antes os alunos decoravam para serem arguidos e, passavam de ano mediante a reprodução dos conteúdos assimilados. Hoje o ensino contempla a construção do conhecimento. O aluno aprende pensando e elaborando seu próprio conhecimento a respeito dos conteúdos apresentados pelos professores. Hoje todas as disciplinas devem ter ligação entre si. Eu, particularmente, fui alfabetizada pela metodologia da escola tradicional e tive o privilégio trabalhar no ensino fundamental, médio e universitário com uma metodologia construtivista. Hoje e ontem educar é uma arte e como tal deve ser feita por profissionais que amam o que fazem e que usam o diálogo como ponto de partida. O educador dever ter competência técnica e política para poder fazer da escola um lugar aprazível e feliz para ele e para os alunos. Mas acho que ainda não respondi seu questionamento sobre a educação ontem e hoje. Vejo hoje um dos grandes problemas que interferem nas escolas: falta de políticas públicas para a educação que incentivem jovens escolherem a profissão de educador. Quando os adolescentes concluem o ensino médio muitos não sabem qual a profissão querem seguir, mas quase todos sabem o que não querem: não querem ser professores. Esta realidade difere muito dos anos sessenta, setenta e oitenta, quando abraçar a licenciatura e tornar-se professor era uma das primeiras escolhas dos concluintes. O que mudou tanto em tão pouco tempo? Basicamente, a falta de valorização da nobre profissão de educar.

Uma palhinha de sua trajetória?
Exerci o cargo de professora de Ciências e Biologia no Colégio São Luiz (de 1973 a 1986 e de 1996 a 2000); professora de Ensino Fundamental, anos iniciais na Escola Alberto Pretti na Limeira (1976); professora de Ciências nas Escolas de Educação Básica Feliciano Pires (de 1975 a 1976); Santa Terezinha (ano de 1995); Dom João Becker (de 1978 a 1997); sendo que nesta unidade escolar atuei como Diretora durante os anos de 1990 a 1994. Atuei no Ensino Superior como Coordenadora e professora de Biologia do curso de Ciências, licenciatura de 1º. Grau e professora de Biologia Humana, Higiene e Puericultura e Metodologia para o Ensino de Ciências no curso de Pedagogia durante os anos de 1976 a 2007.

O que você mudaria - se pudesse - na profissão que exerce?
Na minha profissão sempre lutei para fazer o melhor de mim. Se não acertei tudo, porque sou somente humana, paciência. Todavia, meu maior desejo sempre foi o de ver meus alunos terem interesse em descobrir e construir o conhecimento apresentado e, sobretudo, sentirem-se felizes por ocuparem a maior parte do seu precioso tempo de criança, adolescente, jovem ou adulto com a escola, colégio ou faculdade. Hoje fico muito feliz ao saber que muitos dos meus ex-alunos fazem parte do sistema produtivo de Brusque e região nos vários setores, público ou privado, empregados ou empregadores, profissionais autônomos, enfim, homens e mulheres que, a seu modo, estão colaborando com a história da humanidade.

Quais os melhores livros que lá leu?
Em cada idade um livro marcou-me: Meu Pé de Laranja Lima, O Pequeno Príncipe, Capitães da Areia, Mulheres da China, O Caçador de Pipas, A Menina que Roubava Livros, A Última Música, várias biografias.

O que está lendo atualmente?
Como eu era antes de você, de Jojo Moyses

O que você aplica dos grandes educadores, das experiências que teve, no dia a dia?
Em minha formação de Mestre em Educação conheci pessoalmente Paulo Freire. Minha prática docente foi pautada nas obras deste brilhante educador brasileiro, bem como nas que dele emanaram.

Repensando o fazer pedagógico no ensino de ciências?
Conforme já escrevi anteriormente, meu legado para o ensino, se assim posso falar, é que a aprendizagem se faz através do ato de pensar. Para mim, não há aprendizagem se o professor não conseguir levar o aluno a pensar sobre o objeto do conhecimento a ele apresentado. Isto serve para qualquer ensino e para o ensino de qualquer objeto, de qualquer conteúdo.

O que a incomoda?
Incomoda-me a passividade das autoridades frente à educação e à saúde públicas. Falo em autoridades porque é delas que emanam as decisões.

Quais são as suas aspirações?
Peço a Deus saúde e vida longa para acompanhar os professores fazendo concurso para disputar vagas nas escolas públicas. Deste modo as famílias não precisariam fazer tanto esforço para pagar escolas particulares e todas as crianças, “inclusive as do norte e nordeste brasileiros”, teriam acesso à escolarização de qualidade, uma vez que o que vemos hoje, nestas regiões, é deprimente. Desejo o dia em que os cidadãos de todas as regiões deste país sejam atendidos pelo Sistema Único de Saúde, sem demora e com qualidade de atendimento. Desejo que nossos jovens fiquem no Brasil e não necessitem procurar trabalho em outro país. Desejo uma juventude livre das drogas e da insegurança.

Uma alegria?
Duas etapas de minha vida foram marcadas com uma alegria incontida: o nascimento de nossos três filhos (Francine, Caroline e Luiz Gustavo) e o nascimento de nossos três netos – Helena (5anos), Pedro (4 anos) e Henrique (3 anos).

Qual o maior desafio que enfrentou até agora?
O maior desafio que enfrentamos foi há quase 6 anos quando nosso filho Luiz Gustavo recebeu o diagnóstico de LMA (leucemia mieloide aguda). Doença que afeta os glóbulos do sangue e que o levou a morte em 21 de junho de 2010. O maior desafio é continuar vivendo sem um de nossos filhos. Asseguro que somente pela Fé em Deus e a solidariedade dos familiares e amigos é que estamos continuando nossa caminhada.

Finalizado, alguma mensagem?
Depois de falar deste desafio de superar a perda de um filho jovem de 26 anos, deixo aqui uma mensagem para os jovens. “Aproveitem suas vidas estudando, trabalhando, divertindo-se, vivendo com seus familiares e amigos, sem desrespeitar sua própria vida. Seu corpo necessita de alimento, água e exercício e não de álcool e drogas lícitas ou ilícitas. Viva intensamente cada momento e não deixe que a imprudência, nas mais variadas formas, ceifem sua vida precocemente”.

Publicado no jornal EM FOCO aos 14 de fevereiro de 2014


Bernadete e Edemar
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 Bernadete com a mãe Emília e as irmãs Claudete e Isolete


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Bernadete com as filhas Caroline e Francine

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